É muito legal tem acesso ao conhecimento, viver no meio de pessoas inteligentes, cultas, providas de cognição e cultura. Todos com elaborações sofisticadas sobre a natureza humana, sua e dos outros. Estudiosos das emoções e sentimentos humanos, principalmente da eterna busca do amor romântico.
Compartilhando todo esse conhecimento entre pessoas igualmente inteligentes e capazes de debates ferrenhos nos blogs, twitter, palestras e eventos. Vivem o dia a dia em nome de espalhar o bem do saber e evoluir a cada dia. Tudo em prol do pensar.
Pois é, somos todos muito CRUÉIS!! Só nos envolvemos no que sentimos prazer, a motivação por trás disso, na maioria das vezes é nossa felicidade infantil e egóica, uma atitude que nos faz entrar num mundo de deuses, orgulhosos pelo seu saber e apaixonados pelos seus insights.
No mês passado eu assiti a uma palestra do Leonardo Boff, onde ele falava sobre a felicidade no sentido individual e coletivo neste mundo moderno que estamos vivendo. Em dado momento, em que ele relatava a própria participação na cúpula dos povos na ONU nos dias 24-26 de junho de 2009 (ninguém ouviu falar po causa de morte do M.Jackson), foi se inflamando frente à imobilidade dos povos ricos em resolver a pobreza no mundo, o gasto absurdo no socorro financeiro aos bancos, e, num tom de desabafo e indignação disse: eles são cruéis.
O momento que estamos vivendo hoje é de um egoísmo cívido dos mais absurdos já vividos. Não sei se porque a geração que está hoje na maturidade é aquela mesma que cresceu e teve sua juventude durante o governo militar, mas é uma geração absolutamente desprovida de sentimento cívico.
Isso chegou a tal ponto, que os bons se afastaram de tudo o que é coletivo, das instituições brasileiras, que deveriam servir a todos, deixando um vácuo a ser ocupado pela escória da humanidade. Acho que os anistiados políticos, que foram ativistas políticos, e que sonharam com a chegado da esquerda ao poder, devem estar em depressão profunda assistindo a este governo de esquerda no comando do Brasil.
Aí, todo mundo começa a se organizar no terceiro setor, o que serve de contraponto a um governo ineficiente, agiliza a execução de ações nas quais o governo é moroso ou incompetente por sua natureza, e para isso existem as verbas públicas destinadas a isso, ou ao ativismo e caridade de pessoas e empresas que as suntentam.
Agora, vemos assaltos às verbas destinadas a cultura, assiste-se a meia dúzia de organizações que consomem todo o recurso disponível, e outras que se apropriam disso e nem mesmo existem de fato, e dão uma esmola ao artista que se presta a compor a ‘laranjada’.
Podemos criar institutos e fundações, chamarmos os cidadãos ao engajamento em ONGs, mas isso tudo não substitui a nossa obrigação na participação política de nosso Brasil. Não podemos nos isentar de nossa responsabilidade como brasileiros, e muito mais ainda por sabermos que sem o desenvolvimento cognitivo e acesso ao conhecimento, as pessoas pobres de nosso país serão usadas por facínoras.
Vamos assistir a tudo isso e pensar simplesmente que não gostamos de política, que política é chato. Enquanto isso relcamamos do trânsito, da escola particular que temos que pagar, do custo dos planos de saúde, do chato que nos incomoda no sinal, dos bandidos que nos exterminam por uns trocados ou porque não foram com nossa cara.
É como reclamar do elevador que não funciona, o lixo no pátio do estacionamento, a piscina suja, o porteiro que vive dormindo, mas mesmo assim, nunca aparecer na reunião de condomínio. É como achar que se não olhamos para a merda ao nosso lado, ela irá deixar de existir. Ou pior, achar que estamos relegados a viver imersos no esgoto, desde que consigamos mudar nossa mente e ver o que há de bom nele, ou dentro de nós.
No fundo, a intelectualidade brasileira está perdida: perdida em si mesma. E de forma cruel, deixa que milhares de pessoas morram todos os dias, ou pior, sejam enlatadas na ignorância por uma corja política que está pilhando o espírito cívico dos brasileiros.
No movimento Fora Sarney (#forasarney) existem pelo menos quatro tipos de envolvidos: os que realmente se importam, os oportunistas que pensam em tirar vantagem quando o time cair e um terceiro, que tá só a fim de tacar pedra em alguém que está na posição de alvo, e tem o quarto e pior, que acham política uma coisa chata e que nunca nada será diferente.
Este último tipo é o mais CRUEL porque desistiu de sonhar um sonho positivo e ainda vê, de forma passiva e indiferente, milhares de pessoas sendo matéria orgânica para o imenso biodigestor da política brasileira. Não tenho a inocência de achar que a natureza humana não será tentada pelo poder por toda a sua existência, mas tenho a esperança de que possamos estar vigilantes e atuantes quando preciso for.
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