Talvez eu, na condição de gênero masculino, não sou a melhor pessoa a criticar a iniciativa lançada no Twitter, pois posso ser considerado ‘pouco homem’, maricas, puxa-saco de feminista e sei lá mais o quê. Pelo menos foram algumas dessas classificações que receberam muitos homens que se opuseram à ‘campanha’.
Não vou aqui explicar essa idéia, nem citar seus criadores, até porque creio que estaria dando crédito a pessoas que estão contribuindo para algo que não acredito que ajude no convívio humano e está nos levando a uma visão “coisificada”, não só das mulheres – que vem de longa data, mas do próprio ser humano. Basta colocar “#lingerieday” no search do Twitter ou de algum buscador da Internet e virá muita informação.
Um ponto importante a observar é aquele que se pauta na indignação de muitas mulheres diante da forma ‘coisificada’ com que a campanha lhes trata, principalmente daquelas que ainda possuem auto-estima mais preservada. Claro que a questão ‘mulher objeto’ as remete a um tempo, em sua uma memória histórica, para onde nunca mais aceitarão retornar. Algo como querer levar os negros de volta à escravidão. Daí algumas reações destas mulheres serem qualificada por algum homens e incrivelmente por algumas mulheres, de feministas recalcadas e outros elogios.
Gostaria de ir além. Acredito que estamos vivendo uma época em que o que tem valor é algo que pode ser quantificado, poupado, investido, lucrado, exibido. Algo que seja uma coisa. Tem que ter como enxergar, como exibir aos outros, ou como ser guardado no armário para ser usado quando convier.
Isso tem acontecido nas amizades, nos relacionamentos amorosos, nas atividades simples do dia-a-dia. É frustrante a incapacidade de precificar o sorriso ou as lágrimas, a satisfação em ver a felicidade de outrem, a beleza do Sol e da Lua. Tudo isso passa então a ser piegas e tolo. Coisa de fracos, de quem não sabe viver com emoção, como se emoção fosse conseguir ‘coisificar’ o que nos cerca e usá-los à exaustão.
Não acho que ignorar simplesmente a campanha não executando ‘as ordens’ dos seus gênios criadores basta. Há que se mostrar que ainda existe humanidade nos humanos.
One Response
Stay in touch with the conversation, subscribe to the RSS feed for comments on this post.
Continuing the Discussion