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[Pensar Humano] #SMAM: A inveja da Mama desbancando a inveja do Pênis

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Antes que os especialista comecem o ataque (se é que algum deles vai perder tempo por aqui), já sou réu confesso: não sou psicanalista, nem pretendo que este post seja analisado do ponto de vista científico.

Estamos em plena Semana Mundial do Aleitamento Materno e apesar da campanha veiculada pelo Ministério da Saúde, que é o reponsável pela organização dela no Brasil, pouco vi na midia matérias a respeito. Coisa simples assim: alimente a mãe, ela dá só o peito ao filho nos primeiros 6 meses de vida, ele fica imune à maioria das doenças da infância, diminui o sofrimento e mortalidade e economiza um montão de dinheiro.

No twitter foi onde mais observei o esforço de algumas mulheres em tópicos como #smam ou #breastfeeding, ou o @aleitamento. São posts autobiográficos  emocionantes sobre o assunto. Vale a pena uma busca. São declarações rasgadas de amor e carinho, de algum sentimento de posse também (tem mãe coruja pácas), mas principalmente, expressões da emoção mais cara do ser humano, que é a compaixão. O ato de se dar a outrem.

Mas sabe como é: peito é coisa de mulheres, homens não participam deste papo!! Homens só mamam. Deve ser por isso que surgiu o termo pejorativo “mamata”. Só pode ter sido cunhado por um homem. Algo assim, de conseguir obter vantagem sem esforço. A completa distorção da maternidade… só pode ter sido um homem (Deviam criar uma lei “mamofóbica”).

Homens fazem filho, mas não os geram. Assitem (alguns) à gestação, mas não os parem. Os educam, mas não os alimentam, não os constroem. E normalmente reclamam de ter de levantar a noite. Esses dias li um post, daqueles de machões reclamões que dizia: “..  e eu nem tenho peito, pra que ela quer que eu levante para pegar o bebê?”.

Ah o pênis… tudo culpa dele. Potência fálica, gênese  da autoridade, da dominação. Pura incapacidade de geração. Como alguém que porte um instrumento tão maravilhoso e capaz de tanta realização, poderia pensar em compartilhar um sentimento, dividir um momento, dar o suporte através de um gesto de generosidade. Homem só dá suporte somente pra alguma sentar em cima.

Pior são as mulheres fálicas. Essa são pra acabar. Construindo falos fictícios para ocupar posições de poder em organizações e governos. Estão abrindo mão de algo que realmente importa, para aprisionar nossos jovens e crianças nessa estrutura competitiva, autoritária e desumana, que os homens estão insistindo em perpetuar.

Aos homens que acreditam que serem mais maternos os farão menos machos, quero deixar meu pesar. Vocês estarão fadados a ficar no futebolzinho reclamando da mulher, ou enchendo a cara na sinuca, ou deitando-se com putas para que elas lhe digam que você é muito macho. Ou pegam tudo isso e direcionam para a política ou gestão empresarial, dá no mesmo.

Podemos ter nossos prazeres independentes de nossas mulheres, sem que isso signifique ter que fazê-las menores. Poder também tomar a cervejinha ao lado dela. Poder nos abster em nome dela, da família, e receber o mesmo tratamento de volta. Acabar com o mito que a liberdade é masculina e a prisão é feminina (isso falo às mulheres também).

Freud foi um dos homens que mais conseguiu compreender a natureza humana: a partir do homem. Pelo que sei, em vários momentos de sua obra, quando se referia à psiquê feminina, por vezes se demonstrou limitado ao entendimento. Talvez não por sua culpa, pois acredito que sistematizou tudo num momento social onde o falo era a grande ferramenta, onde tudo era possível pela força.

Estamos vivendo um novo tempo, onde o poder não mais poderá ser imposto, onde a capacidade de agregar determinará a sobrevivência, a capacidade de cuidar, de zelar irá determinar o quanto da natureza ainda poderemos exigir. Estamos vivendo um tempo onde o pênis terá que ceder lugar ao seio, à mama.

Vivemos no planeta Terra, que nos acolhe indistintamente, sistematizados pela Natureza, que nos provê a sobrevivência, a sociedade caminha para a democracia, para o achatamento da hierarquia e a organização de grupos, para a mediação de interesses e conflitos: todas qualidade femininas.

E os homens? Ou fingem que nada está acontecendo, ou estão em pânico, ou estão tentando entender essa nova ordem. Os castelinhos ruindo. O modelo de desenvolvimento e governança falido e desgovernado.

Mas sabe como são os machos, se juntam numa reuniãozinha metida a besta, entre os ‘G alguma coisa‘, se auto-entitulam líderes (bem coisa de macho) e não são capazes de chegar a um acordo. Porque negociar, conceder não é qualidade masculina.

O que falta é uma belo par de seios em cada um. Nada de silicone, mas sim uns peitões (ou peitinhos… aprendi que tamanho não tem relação com produção), transbordando de leite. Aquela generosidade, que mesmo que se queira, não é possível conter. Algo que é mais forte, algo ligado à vida. É dar de si para que o outro possa viver, e se sentir mais vivo com isso, se sentir perpetuado no outro com seu próprio corpo.

Pior é ver mulheres de pau em ríste, no meio destes machões. Mulheres masculinizadas em suas visões, mulheres que deixam seus filhos às mamadeiras. Mulheres que invejam o pênis pútrido dos poderosos. Isso sim é triste.

Aos machões de plantão,  já se faz tarde o momento de desenvolverem seus úteros e seios, de forma análoga a que obrigaram às suas mulheres a desenvolverem falos para lutar por igualdade de direitos. E agora reclamam do feminismo. Ah, vai dizer que não foi você!? Dançou, mesmo que não sejamos, estamos tomando tudo de herança. Assim como elas.

Num dos posts que li esta semana, uma mãe narra que, enquanto amamentava, se atentava para o olhar atônito do pai do seu filho. Um olhar de quem tenta e nunca irá alcançar o que está se passando ali. Penso que talvez isso seja verdade, talvez, o que um bom homem possa alcançar é a gratidão pelo peito que recebeu.

Talvez tenha chegado o momento de mães e pais criarem bons filhos homens para boas mulheres e boas filhas mulheres para bons homens. A femiminilidade e a masculinidade está em todo ser humano, independente de seu gênero.

O que continua diferente é só o sexo. E isso é bom.

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