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[Cidadania] Governar em pról da educação: tão difícil quanto vender um purificador de água

Ontem, um amigo que cursou um semestre na faculdade de direito, à qual eu abandonei há cerca de três anos, e que é sócio numa empresa que revende e instala purificadores de água, me procurou para me oferecer um equipamento.

A minha empresa utiliza galões de água mineral (espero), e , diante de algumas denúncias de problemas com qualidade da água envasada e também com algum aumento de preços já percebido por conta da regulamentação do uso de botijões em relação à validade, decidimos por instalar um sistema de purificação e tratamento.

O problema começou quando ele iniciou a explicação de toda a tecnologia que está por trás dos diversos sistemas de tratamento existentes, e a importância disso na saúde do ser humano, os riscos a que estamos expostos, o nível de tratamento de água no Brasil, tipos de tratamento para cada finalidade de uso, etc, etc, etc.

Olha, foi uma aula de fazer inveja a muito engenheiro bioquímico e médico sanitarista, porém, como eu o conheço bem, sei que está há algum tempo lutando para conseguir concorrer com grandes marcas no mercado, que, com mindshare bem estabelecido, vendem produtos inferiores a preços superiores. Perguntando a ele sobre esta questão comercial, ele me disse: as pessoas não querem saber da própria saúde, gastam com um perfume de R$500 mas não compram um purificador do mesmo valor.

E o que isso tem a ver com governo e educação?

Tem a ver com a incapacidade das pessoas avaliarem o que é realmente importante para si e o que lhes dá prazer instantâneo e perceptível, o que exige esforço e sacrifício, mas traz recompensa definitiva ou ainda a tranqüilidade, e aquilo que não perdura, mas salta aos olhos quando oferecido.

Parece que nascemos com uma capacidade incrível de acreditar que aquele seio (que muitos de nós nem sugou) nunca secará, nunca se afastará. Algo que nos permite sonhar que alguém está sempre se preocupando conosco, ou nos dizendo com o que não nos preocupar. Àqueles que nos dizem com o que nos preocuparmos, damos as costas, ou fazemos ouvidos surdos.

A partir da discussão sobre os purificadores, fiz uma sugestão “marqueteira” a meu caro amigo: simplifique a comunicação e desperte o desejo das pessoas, elimine o medo, venda um sonho, elas não querem comprar verdades, e, ainda faça o bem. Olha, vocês precisam ver o sorriso no rosto dele…

E assim espero que algum candidato ou político espertalhão o faça. Venda a educação para as pessoas como algo que as vai tirar da miséria, tanto financeira quanto a espiritual. Minta a todos que quem souber interpretar textos, fazer correlação de idéias, análise e síntese e ainda mantiver a energia lúdica operando poderá se “dar bem” na vida, será o mais “esperto”.

Ah, tem que lembrar de falar pra eles que eles vão continuar a receber a ajuda da rede de proteção social do governo e que o par de botinas está garantido para as próximas eleições!

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Posted in Cidadania, Pensar HUMANO.

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